EUA estão ajudando a reconstruir o Império Otomano

Robert E. Kaplan
Todas essas intervenções militares dos Estados Unidos aconteceram em uma área que foi parte do Império Otomano, e onde um regime secular foi substituído por um islâmico. Até agora, a política da Alemanha de manter escondido o seu papel de liderança na tentativa de reconstituir o Império Otomano foi bem sucedida.
Desde meados da década de 1990, os Estados Unidos intervieram militarmente em vários conflitos armados na Europa e no Oriente Médio: lançar bombas a Sérvia em apoio ao regime muçulmano de Izetbegovic na Bósnia em 1995, lançar bombas novamente em apoio a guerrilheiros muçulmanos em 1999 lançar bombas sobre o regime líbio de Kadafi em apoio aos rebeldes em 2010. Para os americanos, a justificação para cada intervenção foi motivada por questões humanitárias: para proteger muçulmanos bósnios dos sérvios genocidas, para proteger muçulmanos de Kosovo dos sérvios genocidas, e para proteger os líbios do ditador assassino Muamar Kadafi.

Outras desculpas para as intervenções também foram utilizadas: para ganhar uma posição estratégica para os Estados Unidos nos Balcãs, para derrotar o comunismo na Iugoslávia, para demostrar aos muçulmanos do mundo que os Estados Unidos não são anti-muçulmanos, para redefinir o papel da OTAN no período pós-Guerra Fria, entre outras.

Todas essas intervenções militares dos Estados Unidos aconteceram em uma área que foi parte do Império Otomano. Em cada uma delas, o regime secular acabou substituído por um islâmico, a favor da lei islâmica e da criação de um califado mundial. Os países que passaram pela “Primavera Árabe” a partir de 2010 sem a ajuda da intervenção militar americana, Tunísia e Egito, também foram parte do Império Otomano, e também acabaram governados por regimes islâmicos.

Nos Estados Unidos, a maioria das discussões sobre os conflitos militares na década de 1990 nos Balcãs e sobre a “Primavera Árabe” entre 2010 e 2012 não mencionam que as áreas envolvidas foram parte do Império Otomano, inclusive a Turquia, as áreas habitadas por muçulmanos em torno do Mediterrâneo, o Iraque, as regiões costeiras da Península Árabe e partes dos Balcãs. Nas áreas que passaram pela Primavera Árabe, o papel da Turquia todas as vezes foi de apoiar os rebeldes e rapidamente reconhecê-los como um governo legítimo do país em revolta.

E os líderes turcos conectam os conflitos na Bósnia, a “Primavera Árabe” e o Império Otomano. Harold Rhode, um americano especialista em Turquia, noticiou:
Os recentes [2011] discursos de Erdogan [presidente da Turquia] após sua vitória eleitoral colocam em evidência suas verdadeiras intenções com relação à política externa da Turquia. Segundo ele, sua vitória é tão importante em Ancara quanto o é na capital da Bósnia e Herzegovina, Sarajevo, que era uma importante cidade otomana nos tempos do império; que a festa de sua vitória foi tão importante em uma grande cidade como Izmir, na costa oeste de Anatólia, quanto em Damasco, e tão importante em Istambul quanto em Jerusalém…

Ao dizer que essa vitória é tão importante em todas as ex-cidades otomanas, Erdogan aparentemente se vê na tentativa de recuperar na sua totalidade o passado otomano da Turquia.

O fato de que desde 1990 cada país da Europa e do Oriente Médio que sofreu intervenção militar americana em um conflito militar interno ou em uma “Primavera Árabe” acabou com um governo dominado por islâmicos da Irmandade Islâmica ou pela al-Qaeda se encaixa bem na ideia de que esses eventos representam um retorno ao Império Otomano. Além de ser um império político governando um território e sua população, o Império Otomano alegou ser um califado com domínio espiritual sobre todos os muçulmanos, dentro e fora das fronteiras. Embora possa parecer estranho no início, a ideia de promover a renovação do Império Otomano em duas frentes: quebrar a estrutura política pós-otomana e promover um califado que islâmicos dizem desejar, parece bastante razoável.

Assim como os conflitos nos Balcãs na década de 1990 e a “Primavera Árabe” considerada em perspectiva histórica sugere que a Turquia pode estar tentando recriar seu antigo império, um exame do império turco em uma perspectiva histórica sugere uma possível parceria entre Alemanha e Turquia no projeto, considerando que, desde sua criação em 1870, a Alemanha viu a Turquia com seu império como seu mais valioso cliente e aliado. Na visão dos líderes da Alemanha, a Turquia era controlável por meio de uma combinação de intercâmbio comercial e presentes como oportunidades educacionais, disposição de conhecimentos técnicos e administrativos, e também propinas a autoridades turcas. A Alemanha via a influência da Turquia como um meio de influenciar os muçulmanos ao redor do mundo para seus próprios interesses. Como mostrou o estudioso alemão Worfgang Schwanitz, durante a 1º Guerra Mundial a Alemanha empregou o califado turco para promover a jihad (tumultos e rebeliões) em áreas onde muçulmanos eram governados por seus inimigos, que eram Rússia, da França, da Inglaterra e da Sérvia.

No entanto, nos cerca de 50 artigos reunidos em minha pesquisa sobre a consciência de parte dos americanos sobre uma possível conexão turca com a “Primavera Árabe”, não encontrei uma única menção a “Alemanha”. Somente em um link em um desses artigos, que levava a um artigo sobre a Corte Penal Internacional (CPI) que, com sua acusação a Muamar Kadafi e a emissão de um mandado de prisão contra ele, forneceu a base “legal” que legitimou os bombardeios da OTAN contra a Líbia, que deu a vitória aos rebeldes e terminou o regime de Kadafi, nele encontrei uma menção à Alemanha. Do artigo, “A Lawless Global Court” (Uma Corte Global sem Leis), escrito por John Rosenthal (Policy Review nº 123, 1º fev. 2004), descobre-se que a CPI é um projeto iniciado, promovido e até certo ponto financiado pela Alemanha. Levando isso em consideração, a ideia de que a CPI serve aos propósitos da Alemanha é senso comum. Por meio da conexão da Corte, a promoção alemã da “Primavera Árabe” fica clara. No entanto, quase nunca é mencionada. Esse silêncio exige uma explicação.

Mais tarde, encontrei uma referência explícita ao papel da Alemanha nisso tudo, principalmente na guerra contra o regime de Assad na Síria, no artigo de John Rosenthal German Intelligence: al-Qaeda all over Syria (Inteligência Alemã: al-Qaeda em Toda a Síria) no site do Asia Times, que noticia que o governo alemão apoia os rebeldes e seu braço político, o Conselho Nacional Sírio, contra Assad; que o governo alemão manteve em sigilo “por questões de interesse nacional” o conteúdo de vários relatórios da agência de inteligência alemã BND de que o massacre de civis na cidade síria de Houla em 25 de maio de 2012, em que Assad foi considerado responsável, foi na verdade cometido por forças rebeldes, e que “o Ministério de Relações Exteriores da Alemanha está trabalhando com representantes da oposição síria para desenvolver “planos concretos” para uma “transição política” na Síria após a queda de Assad. Até agora, a política da Alemanha de manter escondido o seu papel de liderança na tentativa de reconstituir o Império Otomano parece ter sido bem sucedida.

Cada ação militar dos Estados Unidos na Europa e no Oriente Médio desde 1990, no entanto, com exceção do Iraque, seguiu um padrão evidente: Primeiro houve um conflito armado dentro do país onde a intervenção iria acontecer. A mídia americana fez uma grande cobertura do conflito. Os “bonzinhos” na história eram os rebeldes. Os “vilões”, que seriam atacados pelas forças militares americanas, eram brutalmente antidemocráticos, perpetradores de crimes de guerra, guerras contra a humanidade e genocídios. Figuras públicas prestigiosas, ONGs, entidades judiciais e quase judiciais e organizações internacionais clamavam por apoio aos rebeldes e ataque ao regime. Próximo passo, o presidente americano ordenava um apoio logístico e fornecia armas aos rebeldes. Finalmente, o presidente americano ordenava um ataque militar sob proteção da OTAN em apoio aos rebeldes. O ataque geralmente consiste em um bombardeio aéreo, o atual equivalente das canhoneiras dos séculos XIX e XX, que podiam atacar cidades costeiras de países militarmente fracos sem medo de retaliação. O resultado final de todas as intervenções americanas foi a substituição do governo secular por um regime islâmico em uma área que foi parte do Império Otomano.
Por que o governo dos EUA promoveria ativamente objetivos alemães, como a destruição da Iugoslávia (a Alemanha invadiu a Sérvia nas duas guerras mundiais) e a recriação do Império Otomano, é uma questão que precisa ser respondida.
Robert E. Kaplan é historiador, com doutorado pela Universidade de Cornell, especializando em Europa moderna.

“O ódio aos cristãos deve ser do fundo do coração”, diz erudito muçulmano

Abdullah Bard, licenciado pela “prestigiada” Universidade de Al-Azhar e professor de exegese do Islã, declarou que os cristãos produzem um profundo nojo. E adiantou que os muçulmanos devem odiá-los do fundo do coração.

O erudito egípcio Abdullah Badr, uma eminência em exegese islâmica, durante uma conferência realizada no final de março, afirmou que o sentido autêntico da doutrina “wala bara’awa” (amor e ódio) nada mais é que, de acordo com o Corão, amar seus irmãos de fé e odiar os infiéis. Ele fez questão de ressaltar que este ódio deve ser profundo e sincero, deve ser do fundo do coração, não pode ser apenas uma hipócrita manifestão, mas um repúdio completo e público. O “grande erudito” usou uma ocasião em que humilhou publicamente um hoomem de quem tinha comprado uma propriedade ao descobrir que era cristão.

“Odiará ao teu próximo com toda a tua alma com todo o teu ser”, esse parece ser o lema de Abdullah que para jusrificar não precisou de muito trabalho, apenas buscou alguns versículos do Corão:

5.51 . “Ó fiéis, não tomeis por confidentes os judeus nem os cristãos; que sejam confidentes entre si. Porém, quem dentre vós os tomar por confidentes, certamente será um deles; e Deus não encaminha os iníquos.”

2.104 . “Ó fiéis, não digais (ao Profeta Muhammad): “”Raina””, outrossim dizei: “”Arzurna”” e escutai. Sabei que os incrédulos sofrerão um doloroso castigo.”

5.33 . O castigo, para aqueles que lutam contra Deus e contra o Seu Mensageiro e semeiam a corrupção na terra, é que sejam mortos, ou crucificados, ou lhes seja decepada a mão e o pé opostos, ou banidos. Tal será, para eles, um aviltamento nesse mundo e, no outro, sofrerão um severo castigo.

9.23 . “Ó fiéis, não tomeis por confidentes vossos pais e irmãos, se preferirem a incredulidade à fé; aqueles, dentre vós, que os tomarem por confidentes, serão iníquos.”

9.30 . “Os judeus dizem: Ezra é filho de Deus; os cristãos dizem: O Messias é filho de Deus. Tais são as palavras de suas bocas; repetem, com isso, as de seus antepassados incrédulos. Que Deus os combata! Como se desviam!”

4.56 . Quanto àqueles que negam os Nossos versículos, introduzi-los-emos no fogo infernal. Cada vez que a sua pele se tiver queimado, trocá-la-emos por outra, para que experimentem mais e mais o suplício. Sabei que Deus é Poderoso, Prudentíssimo.

Abdullah, jurou por Alá que cortará a língua e lançará aos cachorros de quem ofender Maomé e sua doutrina. Além disso chamou de puta a atriz Elham Shahin, e ameaçou torcer seu pescoço. O prestigiado clérigo também já declarou que os cristãos devem desaparecer do Egito.

FONTE: DE OLHO NA JIHAD