O que a esquerda faz com a lei? Veja o caso Venezuelano

Ives Gandra da Silva Martins *

Reza o artigo 233 da Constituição venezuelana: “Quando se produza a falta absoluta do Presidente eleito ou da Presidenta eleita antes de tomar posse, se procederá a uma nova eleição universal, direta e secreta dentro de 30 dias consecutivos seguintes. Enquanto se elege e toma posse o novo presidente ou a nova presidenta, se encarregará da presidência da República o presidente ou a presidenta da Assembleia Nacional”.

O falecido presidente Hugo Chávez não tomou posse após sua reeleição. Esta deveria ter ocorrido em 10 de janeiro de 2013, como determina o artigo 231 (o candidato eleito tomará posse em 10 de janeiro do primeiro ano de seu período constitucional). Por outro lado, Nicolás Maduro, de rigor, foi, até 10 de janeiro, o vice-presidente escolhido por Chávez. Não foi eleito pelo povo, já que artigo 236, inciso III, da Lei Maior daquele país, entre as atribuições do presidente da República, outorga-lhe a de “nomear e remover o vice-presidente executivo”.

Determina, ainda, a Carta Magna venezuelana, que “não poderá ser eleito presidente quem esteja em exercício no cargo de vice-presidente executivo” (artigo 229). Quando Chávez faleceu, estava na vice-presidência, por esdrúxula decisão da Corte Maior do país, Maduro, o atual candidato à presidência. Ora, como Hugo Chávez nunca tomou posse do novo mandato, com sua morte caberiam novas eleições e quem deveria ter assumido a presidência da República seria o presidente da Assembleia Nacional.

É de lembrar ainda que o artigo 328 da Lei Maior daquele país declara que as Forças Armadas “constituem uma instituição essencialmente profissional, sem militância política”.

Como se percebe, com a autonomeação para presidente do sr. Maduro, a Constituição venezuelana foi esfrangalhada pelos herdeiros de Chávez, dispostos a manter a qualquer custo o poder, com sucessivos golpes à sua Lei Maior.

Tenho-me dedicado, há muitos anos, ao estudo de Constituições latino-americanas, desde a promulgação da brasileira. Fui convidado pelo governo paraguaio a proferir palestras, antes da promulgação de seu Texto Supremo, a fim de, com outros juristas das Américas, falar sobre a então recente Carta Magna nacional. Com Celso Bastos atendi ao procurador-geral do governo argentino, em consultas sobre as virtudes e os defeitos do processo constituinte brasileiro, ele que fora o encarregado pelo presidente Carlos Menem a deflagrar o processo que terminou por desaguar na atual Constituição da Argentina. Participamos, inclusive, de um programa de TV sobre a Constituinte de nosso vizinho.

Ainda em 2010, o Itamaraty promoveu a publicação de todos os textos latino-americanos, iniciativa do embaixador Jerônimo Moscardo, seguida de estudos de constitucionalistas do continente, inclusive meu.

O que me preocupa, hoje, é que, ao sabor dos humores e tendências ideológicas, esses Textos Máximos são manipulados, desfigurados, dilacerados por aqueles que usufruem o poder. Lembro a frase do presidente do Uruguai, José Mujica, ao apoiar a exclusão do Paraguai do Mercosul: “Nossa decisão foi não jurídica, mas política”. Tal decisão permitiu, sem o aval necessário daquele país, a entrada da Venezuela na comunidade sul-americana.

Acontece que o artigo 225 da Constituição paraguaia permite o afastamento do presidente em face do “mau desempenho de suas funções, (…) por maioria de 2/3 na Câmara dos Deputados e no Senado”. À evidência, a decisão que puniu o Paraguai por cumprir a sua Constituição não teve caráter jurídico. O país foi punido por ter afastado um companheiro de ideologia de seus aliados, sendo o correto Direito paraguaio visto como um empecilho, pateticamente violentado, na gráfica frase de Mujica “a decisão foi política, e não jurídica”.

Parece-me de extrema gravidade a nomeação para a chefia do Executivo de alguém não eleito pelo povo. É um duro golpe na credibilidade de que aquele país vive um regime democrático.

O fato de Maduro utilizar-se de um cadáver como seu cabo eleitoral e explorar a emotividade do povo, amputando o direito da oposição com perseguições aos meios de comunicação e prisões políticas de pessoas contrárias ao seu governo, não poderá legitimar nunca sua nomeação. O “processo de eleição” está viciado, já que não presidido pelo presidente da Assembleia Nacional, mas pelo próprio Maduro e com o apoio escancarado das Forças Armadas, que constitucionalmente são proibidas de se manifestar sobre política. E concorre, tendo sido vice-presidente, até sua autonomeação como presidente!

O melancólico papel do Tribunal Superior de Justiça (artigo 262 da Constituição da Venezuela), formado por amigos do falecido presidente, que, devendo assegurar o predomínio da Constituição, a apunhala, torna esse país não mais uma democracia, mas uma ditadura, com fantástica manipulação do povo por quem detém o comando autoimposto. Não vejo nenhuma distinção entre a posse de Maduro, maculador da Constituição venezuelana, e Hitler, em 1933, quando, com o mesmo poder de iludir o povo e perseguir e calar a oposição, deu início ao III Reich, tendo estupenda aprovação de uma sociedade seduzida pelas promessas messiânicas do ditador alemão.

Maduro não tem nem legitimidade nem legalidade no exercício do poder, mesmo com o apoio de uma Corte judiciária formada por amigos de Chávez, que, por força do artigo 263 da Lei Suprema, deveriam ser notáveis juristas, mas, pelo visto, conseguem esconder muito bem esses eventuais conhecimentos.

Como Maduro encena uma ideologia que agrada ao governo brasileiro, tenho a certeza de que o Itamaraty se curvará a mais esta violação da democracia e da Constituição venezuelana e nada fará para punir esse país, como puniu o Paraguai.

* Ives Gandra da Silva Martins é professor emérito da Universidade Mackenzie, das escolas de Comando e Estado Maior do Exército (ECEME), Superior da Guerra (ESG) e da Magistratura do Tribunal Regional Federal – 1ª Região. (ESTADÃO)
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Novo Papa classifica o “casamento” gay como “conspiração do pai das mentiras”

PAPAO Cardeal Jorge Bergoglio, agora Papa Francisco, é conhecido dos leitores do LifeSiteNews como um valente defensor da vida e da família.

Em termos de “casamento” homossexual, o Cardeal Bergoglio lutou bravamente para se ter uma lei na Argentina que continuasse a defender a família tradicional.

Em julho de 2009, ele pediu aos sacerdotes da Arquidiocese de Buenos Aires que trouxessem os fiéis a um protesto contra o “casamento” homossexual.

Não sejamos ingênuos, não estamos falando de uma simples luta política. Esta é uma pretensão destrutiva contra os planos de Deus”, escreveu o Cardeal Bergoglio em uma carta enviada aos monastérios de Buenos Aires. “Não estamos falando de um simples projeto de lei, mas, antes, de uma conspiração do Pai das Mentiras, que procura confundir e enganar os filhos de Deus”.

Aos clérigos das paróquias, Bergoglio pediu que todos lessem em seus púlpitos a declaração defendendo a verdadeira definição e entendimento de casamento.

”O povo argentino terá que enfrentar, nas próximas semanas, uma situação que pode prejudicar gravemente a família. Nós estamos falando de um projeto de lei relativo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, um projeto que põe em discussão a identidade, e a sobrevivência da família: pai, mãe e filhos”.  Os últimos, alerta Bergoglio, podem também ser ameaçados pela adoção homossexual, o que seria uma verdadeira forma de discriminação.

O país agora precisa “da assistência especial do Espírito Santo, para pôr a luz da verdade no meio da escuridão do erro, para nos defender contra o encantamento de vários sofismas, com os quais procuram justificar este projeto de lei”, escreveu ele.

Ao mesmo tempo, em uma história que está sendo bastante repetida hoje, o Papa Francisco demonstrou sua compaixão quando visitou um hospício na Quinta-Feira Santa, onde ele beijou e lavou os pés de doze pacientes portadores de AIDS, uma doença que é frequentemente associada à homossexualidade.

Fonte: LifeSiteNews
Tradução: Jorge Alberto

Os judeus e a indústria pornográfica

Publicado no site do professor Alfredo Braga, mas originalmente artigo da Revista A Hebraica.

Nathan Abrams

Artigo publicado na revista A HEBRAICA

São Paulo, maio de 2005

Pouco se fala do papel dos judeus no item menos glamuroso de Hollywood, a indústria de filmes para adultos. Talvez fosse preferível fingir que a história não existisse.

Mas a realidade é outra. Judeus laicos(1) desempenharam (e continuam a exercer) um papel comparativamente desproporcional nesta lucrativa indústria americana.

Os judeus envolvidos na pornografia(2) têm uma longa história nos EUA, e ajudaram a transformar uma subcultura marginal em algo que faz parte da cena local.

Aliás, um cartão postal satírico produzido na Alemanha para judeus poloneses retrata estudantes do Talmude assistindo à apresentação de uma dançarina de cancan.

A presença judaica na indústria pornográfica está dividida em dois grupos (que às vezes se sobrepõem): pornógrafos e artistas. Apesar de os judeus representarem apenas 2% da população dos Estados Unidos, ocupam posição de destaque na área da pornografia. Entre 1890 e 1940, muitos dos livreiros especializados em literatura erótica eram imigrantes judeus de origem alemã. Segundo Jay A. Gertzman, que escreveu um livro a respeito do negócio na pornografia, “judeus eram proeminentes na distribuição de gallantiana, [ficção sobre temas eróticos e livros de piadas e versos obscenos] romances avant-garde de sexo explícito, revistas impressas em papel barato, textos sobre sexologia… “

Reuben Sturman

No período pós-guerra, Reuben Sturman, o “Walt Disney da pornografia”, era a figura mais notória do ramo na América. De acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, Sturman controlou a maior parte do material pornográfico em circulação no país durante toda a década de 1970. Nascido em 1924, ele cresceu na parte leste de Cleveland. No início, vendia principalmente revistas de quadrinhos. Mas quando percebeu que a venda de revistas sobre sexo dava um lucro vinte vezes maior do que o obtido com os quadrinhos, passou a comercializar exclusivamente material pornográfico, chegando mais tarde a produzir seus próprios títulos e a montar lojas de varejo. No final dos anos 1960, Sturman ocupava o topo da lista de distribuidores de revistas de sexo e em meados dos anos 1970 tinha mais de duzentas livrarias para adultos. Ele também introduziu no mercado versões modernas das tradicionais cabinas escuras, individuais, e o espectador agora assiste a filmes de sexo explícito num pequeno monitor de TV. Dizia-se que Sturman não controlava a indústria de entretenimento para adultos – mas que ele era a indústria. Foi condenado por evasão fiscal e outros crimes e morreu em desgraça na prisão, em 1977. O filho David continuou dirigindo os negócios da família.

A versão contemporânea de Sturman é Steven Hirsch, 43 anos, também de Cleveland, descrito como “o Donald Trump da pornografia”. A ligação entre ambos é Fred, pai de Steven, ex-corretor de ações e braço direito de Sturman. Hoje, Hirsch comanda o Vivid Entertainment Group, uma espécie de Microsoft do mundo da pornografia, a maior produtora de filmes “adultos” dos Estados Unidos. Sua especialidade era trazer técnicas de marketing para a indústria. De fato, o grupo adota práticas semelhantes às empregadas pelos grandes estúdios de Hollywood nas décadas de 1930 e 1940, em particular quanto aos contratos de exclusividade que firma com astros do cinema contratados e moldados por Hirsch.

Moças e rapazes de família

A maioria dos atores principais e boa parte das atrizes nos filmes de sexo explícito produzidos nas décadas de 1970 e 1980 é de judeus. O veterano entre os garanhões é Ron Jeremy. Conhecido no meio pornográfico como “o porco-espinho”, Jeremy é um dos grandes astros norte-americanos da categoria. Tem 51 anos, vem de uma família judia de classe média alta de Queens, atuou em mais de mil e seiscentos filmes para adultos e dirigiu outros cem. Ídolo na América, um herói para judeus e não judeus de todas as idades, personaliza aquele homem desmazelado, gordo, feio e cabeludo que infalivelmente leva dúzias de lindas mulheres para a cama. Jeremy simboliza uma espécie de rei David dos dias de hoje, um supergaranhão que desbanca os tradicionais heróis judeus. Sua importância na indústria foi recentemente destacada com o pornodocumentário sobre sua vida, Porn Star: The Legend of Ron Jeremy. Como o astro pornográfico judeu provavelmente mais conhecido dos EUA, Jeremy fez maravilhas em favor da psiquê dos homens judeus americanos. Ele também lançou um CD, Bang-a-Long-With Ron Jeremy. Por uma módica quantia (que inclui o frete), é possível ouvir as histórias prediletas da carreira de Jeremy narradas pelo próprio ídolo.

Nascido Adam Glasser, Seymore Butts é tudo o que Ron Jeremy não é: jovem, atraente e musculoso. Glasser, um judeu de 39 anos de Nova York, abriu uma academia em Los Angeles em 1991. Quando ninguém apareceu, ele pediu emprestado uma câmara de vídeo por 24 horas, foi a um clube de strip-tease, recrutou uma mulher, voltou ao seu estabelecimento e começou a gravar. Apesar do fracasso da fita, uma boa dose de hutzpá e alguns cartões com seu nome e atividade comercial, ele fez um acordo com um fabricante e começou a produzir vídeos pornográficos. Em poucos anos, montou uma das maiores franquias no ramo de filmes para adultos. Rei absoluto do gênero “gonzo” (caracterizado pela câmara nas mãos e a ilusão de espontaneidade dos vídeos caseiros), ele é hoje, possivelmente, o magnata judeu mais famoso da indústria. Seymore Inc., sua empresa, lança cerca de 36 filmes por ano, cada um custando menos de US$ 15 mil, mas que rendem mais de dez vezes esta quantia. Glasser emprega doze pessoas, incluindo a própria mãe, responsável pela contabilidade do “negócio da família”, sorridente e bem-humorada [aquela figura forçada da tal “mãe judia”, tão decantada pelo cinema e pela mídia judaica?] e incansável na busca de uma noiva para o filho e seu primo Stevie, tão adorável quanto voraz. Atualmente, Glasser tem até um programa de TV, “Family Business,” mistura de novela e documentário em dez episódios, cujos créditos de abertura exibem sua foto no dia do bar-mitzvá.

Atrás do dinheiro

Judeus sempre estiveram presentes na indústria cinematográfica basicamente porque foram aceitos. Alguns partiram para a pornografia; outros, para Hollywood. Tudo era tão novo que as barreiras restritivas vigorando em tantas outras áreas do cenário americano na época ainda não tinham sido erguidas. Na pornografia, nunca houve qualquer discriminação. E, na época, início do século passado, um homem de negócios não precisava de muito dinheiro para fazer um filme. Para a exibição, tudo de que precisava era um projetor, uma tela e algumas cadeiras. Livres da obrigação de manter o status quo e sem nada a perder com inovações, os judeus estavam dispostos a explorar maneiras inéditas de ganhar a vida. Gertzman explica que quando os judeus se viam excluídos de alguma atividade, voltavam-se para um ofício onde sentiam que poderiam prosperar ao lado de colegas, num regime de esforço coletivo… Há muito tempo começaram a cultivar os dons e o temperamento característico dos que trabalham como intermediários e têm orgulho de suas habilidades.

A indústria de entretenimento adulto exigia algo que sobrava aos judeus: hutzpá, isto é, atrevimento, ousadia. Muitos dos pioneiros no ramo eram gênios em marketing e empreendedores ambiciosos cujo êxito se originou da obstinação, inteligência e de uma autoconfiança sem limites.

A indústria de entretenimento adulto exigia algo que sobrava aos judeus: hutzpá, isto é, atrevimento, ousadia. Muitos dos pioneiros no ramo eram gênios em marketing e empreendedores ambiciosos cujo êxito se originou da obstinação, inteligência e de uma autoconfiança sem limites.

É óbvio que o grande número de judeus na indústria pornográfica sempre foi motivado, principalmente, pelo desejo de lucrar. E se os reis judeus de Hollywood souberam construir uma fábrica de sonhos, uma tela em branco sobre a qual podiam ser criadas e projetadas suas próprias visões da América, os magnatas da pornografia revelaram um talento único para bem compreender os apetites do público.

Abraham Foxman presidente da Liga Anti-difamação, a ADL, explica: Aqueles judeus que entraram na indústria pornográfica fizeram-no como indivíduos em busca do “sonho americano”. Como acontece em Hollywood, judeus que ingressam no mundo da pornografia não costumam anunciar sua origem. A maioria dos artistas e pornógrafos se originam em famílias judias de não praticantes. Sturman, no entanto, identificou-se publicamente como judeu, tendo sido um doador generoso para várias entidades beneficentes da comunidade e o ator Richard Pacheco, isto é, Howie Gordon, chegou a ser entrevistado para a yeshivá (escola de judaísmo). Queria ser rabino.

Pouquíssimos filmes pornográficos baseiam-se abertamente em temas judaicos, embora Ron Jeremy tenha tentado uma vez reunir diversos astros para produzir um filme pornográfico kasher. A exceção é Debbie Duz Dishes, em que Nina Hartley interpreta uma dona de casa judia sexualmente insaciável que sente prazer com qualquer um que toque sua campainha. O filme vendeu muito bem, teve algumas seqüências e hoje em dia é difícil encontrar para comprar – talvez indicação de um novo filão a ser explorado. Segundo um editorial publicado no site da World Union of Jewish Students, “há milhares de pessoas procurando pornografia judaica. Depois de ‘calendário judaico’, ‘judeus solteiros’, ‘judeus para compromisso sério’ e ‘festas religiosas judaicas’, as palavras-chave mais usadas para buscas no site http://www.goim.com são ‘pornografia judaica’. É um fato.”

Por que judeus, em particular, usam a pornografia para ganhar a vida? Há alguma outra razão, além da financeira? É certo que existe aí um elemento de rebeldia. O tabu e o proibido atraem por natureza. Como já escrevi uma vez, taref significa “um universo de sexualidade proibida, a sexualidade dos gentios, onde imagina-se que estejam todas as delícias… “

Segundo um conhecedor da indústria que prefere o anonimato, citado por E. Michael Jones na edição de maio de 2003 da revista Culture Wars, “os personagens principais dos filmes feitos na década de 1980 eram judeus de famílias seculares e moças vindas de escolas católicas”. A cena padrão de sexo explícito seria, portanto, resultado da fantasia masculina judaica de copular com uma gentia católica. [aparentemente, só os católicos, a Igreja e o próprio Papa, ainda não entenderam o que essa gente anda tramando contra a nossa decadente sociedade e aviltada Civilização Cristã]

Além disso, como o judeu ortodoxo e fofoqueiro do mundo pornô Lukeford explica em seu site, “pornografia é apenas uma das formas de expressão da revolta contra o pré-estabelecido, contra a disciplina imposta pela obediência à Torá que marca um judeu vivendo o judaísmo”. É também rebeldia contra os pais que esperam dos filhos diplomas de medicina, direito, contabilidade. No mesmo site, o artista pornô Bobby Astyr diz as coisas da seguinte forma: “É como apontar o dedo médio para cima olhando para os tios cheios de anéis que quase me apedrejaram quando garoto por querer ser músico.”

À medida que as influências religiosas perderam fôlego, judeus laicos americanos, principalmente os moradores da área da baía na Califórnia, encontraram no sexo um meio de libertação pessoal e política. Os Estados Unidos ofereciam a sociedade mais livre em que os judeus já tinham vivido e prova disso foi o crescimento da indústria para adultos. Aquelas judias fazendo sexo na tela era a contradição explícita do estereótipo da mimada “princesinha judia americana”. Elas – e é só uma especulação – podiam ver a si mesmas cumprindo a promessa da liberação, emancipando-se do que a feminista Betty Friedan chamou, em 1963, do “confortável campo de concentração”, que seria o lar, ao seguirem para a Terra Prometida dos sets de filmagem do sul da Califórnia. Era um passaporte para a liberdade sócio econômica. Mas tinham escolha: podiam entrar ou não, ao contrário de outras mulheres coagidas por razões financeiras e outras circunstâncias. E, uma vez conquistada a autonomia, mantinham-se sobre as próprias pernas, particularmente porque é prática da indústria as mulheres ganharem o dobro do que os homem para atuar.

Revolucionários por natureza

Ampliando a tese da subversão, o envolvimento judaico no meio pornográfico também pode ser encarado e analisado como um gesto obsceno dirigido a todo o establishment protestante anglo-saxão branco (Wasp) dos Estados Unidos. Alguns astros da pornografia vêem a si mesmos como combatentes da linha de frente na batalha espiritual entre a América cristã e o humanismo secular. [batalha espiritual?… mas desde quanto proxenetas e cafetinas representam o “humanismo secular”?] Segundo Lukeford, muitos desses atores freqüentemente vangloriam-se da “alegria de serem os anárquicos garanhões sexuais incomodando os rebanhos puritanos”. Este argumento resultaria de um ódio atávico à autoridade cristã. Astyr se recorda de “ter que correr ou lutar na escola primária por ser judeu. É bem provável que minha carreira pornográfica seja, em parte, aquele dedo médio apontado para cima – desta vez, uma resposta a gente como meus colegas de escola”. Al Goldstein, o antigo proprietário da revista Screw, declarou que “a única razão pela qual nós judeus, estamos nesta indústria é porque achamos Cristo um fiasco. O catolicismo é um fiasco. Não acreditamos em autoritarismo”.

A pornografia torna-se, assim, um meio de deflorar a cultura cristã e seu caráter subversivo ganha mais força à medida que penetra o âmago do contexto dominante nos Estados Unidos e é, sem dúvida, consumida pelos mesmos protestantes anglo-saxões brancos que a condenam em público. Hoje, busca novos extremos que desafiam até mesmo as fronteiras da estética característica do gênero. A intenção de chocar (e de entreter) é tão clara quanto as novas posições sexuais reproduzidas na tela.

Trata-se de mais um quadro em que o ímpeto revolucionário, radical, típico dos imigrantes judeus na América foi canalizado para a política sexual e não para a esquerda política. Da mesma forma que o número de judeus envolvidos em movimentos radicais ao longo dos anos sempre foi desproporcional, também excede qualquer proporção a extensão de sua presença na indústria pornográfica. Os judeus americanos foram, desde o começo, revolucionários sexuais. Eram judeus aqueles que estavam na linha de frente do movimento que forçou os Estados Unidos a adotarem uma postura menos severa em relação ao sexo. Durante a revolução sexual dos anos de 1960, Wilhelm Reich, Herbert Marcuse e Paul Goodman substituíram Marx, Trotsky e Lênin como leitura obrigatória. Enquanto Reich preocupava-se com trabalho, amor e sexo, Marcuse, por sua vez, profetizava que uma utopia socialista libertaria os indivíduos, permitindo-lhes alcançar a satisfação sexual. Sobre as “belíssimas conseqüências culturais” que acompanhariam a legalização da pornografia, Goodman escreveu que “tornariam nobre toda nossa arte” e “humanizariam a sexualidade.”

Richard Pacheco é um artista de filmes para adultos que leu o casamento intelectual de Freud e Marx escrito por Reich: “Antes de conseguir meu primeiro papel, cheguei a uma seleção de atores para um filme pornô usando cabelos até a altura das nádegas, levando um exemplar de Sexual Revolution de Reich debaixo do braço e falando aos berros sobre trabalho, amor e sexo.”

No artigo Rabbi Dresner’s Dilemma: Torah v. Ethnos, escrito por E. Michael Jones para a edição de maio de 2003 da revista Culture Wars, o rabino Samuel H. Dresner diz que “a rebelião judaica verifica-se em diversos níveis”, sendo um deles “o papel proeminente dos judeus como advogados de experimentos sexuais”. Os atores pornográficos judeus não passariam, portanto, de um grupo que enaltece a rebeldia, a auto-satisfação e a promiscuidade.

Este breve panorama e análise do papel e da motivação por trás de pornógrafos e artistas tem a intenção de jogar a luz sobre um item negligenciado da cultura popular judaica nos Estados Unidos.

Pouco se escreve a respeito. Um livro como A History of the Jews in América, de Howard M. Sachar (New York: Knopf, 1992), simplesmente ignora o assunto. E se pode apostar que as comemorações do 350º aniversário da chegada dos judeus à América não incluíram qualquer referência às inovações judaicas no ramo. Até mesmo a tolerante Time Out New York é reservada em tratar a questão, embora a Heeb, uma publicação mais iconoclasta, planeje uma edição sobre o tema.

À luz da visão judaica, relativamente aberta em relação a sexo, por que sentimos vergonha da presença de judeus na pornografia? Podemos até não gostar mas, o fato é que seu papel na indústria é e sempre foi significativo.(3)

FONTE: http://www.alfredo-braga.pro.br/discussoes/judeusepornografia.html

Outros assuntos

Eis que, da noite para o dia, todos conhecem o ladrão. É verdade que o descontentamento com Marco Feliciano parte de um sentimento de ingenuidade recorrente; pergunto à multidão quem conhecia uma das figuras mais patéticas do cenário evangélico e meia dúzia levanta a mão, não mais que isso. Ora, a Comissão de Direitos Humanos nasceu morta porque justamente pretende e sempre pretendeu a imputação do humanismo nas características mais legítimas da esquerda latina. O problema é que no imaginativo popular referida Comissão trouxe e é algo de relevante no sentido mais puro da palavra: tendo relevância, seria ela também um indicativo de que a república não sucumbiu ao descaso total, “afinal, temos uma Comissão de Direitos Humanos tal qual o Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Não somos então civilizados?”.

Nisso, Feliciano se adéqua belamente ao “status quo” da comissão mediante discursos que pretendem acomodar do politicamente correto à sandice…

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